Despertar do Prana

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Despertar do Prana

Esta texto é a primeira de duas partes de um satsang doSwami Satyananda Saraswati, em Zinal na Suíça, em setembro de 1981, sobre o despertar do prana.

Prana: a Força Vital Universal

No corpo físico, temos dois tipos de energias. Uma delas é conhecida como prana e a outra é conhecida como mente ou consciência. Isto significa que em todos os órgãos do corpo  existem dois canais de fornecimento de energia. A fisiologia moderna descreve dois tipos de sistema nervoso – o simpático e o parassimpático, e estes dois sistemas nervosos estão interligados em cada órgão do corpo. Da mesma forma, todos os órgãos recebem a energia do prana e a energia da mente.

No yoga, o conceito de prana é bastante científico. Quando falamos de prana, não queremos dizer respiração, ar ou oxigênio. Falando precisa e cientificamente, prana significa a força vital original.

Prana é uma palavra sânscrita formada pelas sílabas pra e na. ‘Na’ significa movimento e ‘pra’ é um prefixo que  significa constante. Portanto, prana significa movimento constante. Este movimento constante começa no ser humano, assim que é concebido no ventre materno. Por isso o prana é um tipo de energia responsável pela vida, calor e manutenção do corpo.

Nadis, chakras e a distribuição do prana

De acordo com o yoga, o tantra e a ciência da kundalini, supostamente o prana tem origem na pingala nadi. Na estrutura subtil da medula espinal, existem três canais conhecidos como nadis no yoga. Um é chamado de ida, outro é pingala e o terceiro é sushumna. A ida nadi representa a energia mental, pingala representa o prana ou energia pranica e sushumna representa o espírito ou a consciência espiritual. Estas três nadis começam no muladhara chakra, que está situado no períneo (homens) ou cervix (mulheres). A pingala nadi flui para o lado direito do muladhara e continua numa espácie de zigue-zague atravessando ida em cada chakra por todo o percurso até ao ajna chakra.

Existem seis chakras através do quais pingala nadi passa. O primeiro é o muladhara chakra a partir do qual pingala começa. O segundo o swadhisthana onde pingala nadi atravessa para o lado esquerdo. O terceiro é o manipura chakra onde a nadi cruza para a direita. O quarto o anahata onde esta nadi cruza para a esquerda. O quinto é vishuddhi onde cruza para a direita e o sexto é ajna onde a nadi termina no lado direito. Da mesma forma, ida nadi também atravessa cada chakra, mas na ordem inversa e simétrica. Todos os praticantes de yoga sinceros devem ter uma compreensão clara do percurso destas três principais nadis.

Pingala nadi é o canal de distribuição de prana no corpo, e a partir de cada chakra os pranas são disseminados para todos os órgãos do corpo. Do swadhisthana a energia pranica é distribuída para o sistema urino-genital. O manipura chakra fornece prana ao sistema digestivo e o anahata fornece os sistemas respiratório e cardiovascular. Do vishuddhi, a distribuição ocorre para as orelhas, olhos, nariz e garganta e o ajna chakra é o distribuidor de energia através do qual o cérebro é alimentado.

O combustível da vida

O prana não é apenas um conceito filosófico; é em todos os sentidos uma substância física. Assim como existem ondas radioactivas ou eletromagnécticas, mesmo que não possamos vê-las, da mesma forma, neste corpo físico, há ondas pranicas e um campo pranico. Todos nós temos uma certa quantidade de prana no corpo físico que utilizamos no dia-a-dia, em várias actividades ao longo da vida. Quando o prana diminui, a doença instala-se, e quando temos a abundância de prana, cada parte do corpo está em perfeita saúde. Se temos um excesso de prana, ele pode ser transmitido a outras pessoas para a cura ou magnetismo.

O prana interior pode ser estimulado pela prática de pranayama aumentando assim a sua quantidade. O cérebro requer o máximo de prana, e para a prática da meditação, precisa de um aumento do prana disponível. É por esta razão que praticamos pranayama antes de começar a prática de meditação. Se não formos capazes de fornecer bastante combustível pranico ao cérebro, a mente torna-se muito inquieta e perturbada.

Quando o cérebro recebe um fornecimento deficiente de prana, sofre-se com depressão nervosa ou esgotamento nervoso, todo o corpo transpira, todos os órgãos tremem, não consegues estar de pé, a tua mente fica instável e tens constantemente pensamentos negativos. Não podes sequer dormir e não queres falar nem pensar. Este estado indica que o cérebro está a receber apenas uma quantidade muito pequena de prana.

Aumentar prana

Não devemos pensar que apenas praticando um pouco de pranayama, estamos a enviar uma grande quantidade de prana para o cérebro. O processo de fornecimento e assimilação de prana no cérebro é muito complicado. O cérebro é um instrumento subtil e só pode ser enriquecido pela forma sutil do prana e não pela forma densa. Portanto, quando praticas pranayama, vais ter que converter o prana numa força subtil.

A respiração profunda por si só não é suficiente para estimular o prana. Ao respirar profundamente, estimulas o sistema respiratório e a circulação do sangue, mas se pudesses examinar o cérebro nesse momento, verias que ele praticamente não é influenciado. No entanto, quando praticas pranayama com concentração, como já foi mostrado por estudos científicos, as ondas cerebrais sofrem uma mudança significativa e o sistema límbico também é influenciado de forma positiva.

A respiração consciente e inconsciente

O cérebro pode ser dividido em duas partes: o cérebro frontal e o cérebro posterior. O cérebro posterior é o cérebro instintivo que herdámos das encarnações animais. O cérebro frontal é a sede da consciência total. Quando respiras inconscientemente, a respiração é registada no cérebro posterior, mas quando estás consciente da respiração, consciente de que estás a testemunhar todo o processo, então a respiração é registada pelo cérebro consciente, o cérebro frontal.

Esta diferença parece ser muito simples, mas o seu efeito é muito significativo. Ao longo da vida, respiras inconscientemente, como os animais, as crianças e a maioria das pessoas fazem, excepto os poucos que praticam yoga. Em todo o caso, o fluxo de prana é registado no cérebro posterior como se fosse um computador. No momento em que te tornas consciente da respiração e começas a conduzir e controlar a respiração de uma forma particular, imediatamente o cérebro frontal regista essa influência. Este facto foi revelado por experiências científicas e leva-nos à seguinte conclusão: a respiração consciente tem um efeito totalmente diferente no cérebro do que a respiração inconsciente. Através da respiração inconsciente somos definitivamente capazes de alimentar todo o corpo com prana, mas não podemos fornecer ao cérebro prana suficiente para a sua evolução e crescimento.

(continua…)

By |2014-09-23T20:47:50+00:00 23 Setembro, 2014|Categories: Textos|

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