Dharana

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Dharana 2017-06-08T20:41:27+00:00

 

O que é o Dharana

Concentração é a capacidade de manter a atenção da mente num só ponto, sem qualquer perturbação. O aperfeiçoamento da concentração leva ao estado de meditação. No estado de concentração, a mente não está consciente do ambiente externo ou de qualquer fenómeno periférico em relação ao objecto de concentração.

Porque é que a concentração é tão importante?

Esta questão pode ser respondida através da comparação da mente com uma lâmpada eléctrica. Os raios de luz emitidos pela lâmpada distribuem-se em todas as direcções; a energia dispersa-se. Se estivermos a um metro da lâmpada podemos ver a luz mas não sentimos o calor, mesmo havendo um calor intenso no centro da lâmpada, no filamento. Da mesma maneira, a mente tem um grande poder em potencial, mas está normalmente dissipado em muita direcções. A mente pensa em muitas coisas diferentes, uma atrás da outra, sem mergulhar profundamente em qualquer assunto particular. Por causa desta dispersão, a mente comum não utiliza o seu poder.

Recentemente a ciência produziu o raio laser e muitos avanços foram feitos na tecnologia moderna, devido à sua aplicação. É um método através do qual todos os raios de luz de uma determinada fonte são alinhados, para que possam ser conduzidos na mesma direcção, com a mesma frequência. Vibram em harmonia uns com os outros. A fonte original de luz não precisa de ser mais intensa que uma lâmpada normal, mas se estivéssemos a um metro da fonte do feixe luminoso de um laser, este raio atravessaria o nosso corpo sem dificuldade. Esta é a diferença entre a luz normal e a luz concentrada.

De igual modo, o pensamento concentrado tem também um grande poder. Tem o poder de uma elevada percepção, a capacidade para ver a verdade aquém e além de cada fenómeno. Tem a capacidade de alcançar grandes feitos e de produzir inconcebíveis quantidades de trabalho. Uma mente concentrada é também uma mente descontraída. A concentração é essencial em tudo o que se faz, porque evita que a mente disperse sem razão em todas as direcções.

Uma acção feita com a mente concentrada torna-se mais agradável. Uma pessoa cuja mente está concentrada pode fazer qualquer tipo de trabalho com grande eficácia. Uma pessoa que é incapaz de se concentrar, que está sempre a pensar em outras coisas enquanto trabalha, engana-se e erra inevitavelmente, demorando mais tempo a terminar cada tarefa, se alguma vez terminar. Pensará constantemente em como o tempo demora a passar, preocupar-se-á com os seus problemas em vez de observar o que está a fazer. Por isso mesmo, a concentração não é só fundamental nas práticas ou técnicas em que nos dedicamos ao seu desenvolvimento, mas em toda e qualquer acção quotidiana.

Uma mente concentrada é uma mente poderosa e uma mente dispersa é uma mente fraca. Para desenvolver poder mental tem de ser desenvolvida primeiro uma mente concentrada. Se a mente está dispersa por vários pensamentos, pode ser focada através de técnicas específicas de concentração.

O que significa uma mente poderosa? Uma mente poderosa pode seguir as suas próprias decisões. Por contraste, uma mente fraca decide uma coisa mas faz outra. ‘A partir de amanhã vou fazer isto, mais aquilo!’, mas quando chega o amanhã já tudo foi esquecido. Tudo continua na mesma porque a mente está dispersa. Todas as pessoas que alcançaram algo verdadeiramente grandioso, fizeram-no devido à qualidade das suas mentes. Não foi por acaso nem por milagre, mas sim porque uma mente concentrada é uma mente dotada.

A concentração é abordada na Katha Upanishad (2:3:11) onde é explicada por Yama, o Senhor da Morte, a Nachiketas, um jovem curioso: O firme controlo dos sentidos e da mente é o yoga da concentração. Tem de se ser bastante atento pois este yoga é difícil de obter e fácil de perder.

A palavra ‘concentração’ significa união no centro, ou união num só ponto. Da mesma forma que precisamos de um lápis bem afiado para escrever, ou de uma faca bem afiada para cortar, também a mente tem de estar aguçada pelas práticas de concentração. Não podemos cortar com uma faca, nem escrever com um lápis, que não estejam afiados, porque a pressão exercida fica distribuída por uma área demasiado extensa. Não está concentrada. A importância de uma mente concentrada na vida quotidiana é facilmente reconhecida, mas apesar disso a mente comum não funciona de um modo concentrado. Está dispersa, também está distribuída por uma área demasiado extensa, abrangendo demasiados pontos. Por causa desta dispersão, não somos capazes de utilizar nem sequer uma pequena fracção do potencial do nosso poder mental.

Sabemos muitas coisas nesta vida, sobre o nosso trabalho, a nossa família, a sociedade, o ambiente, história, ciência e política, mas não sabemos como controlar a mente e canalizá-la à nossa vontade. Para a maior parte das pessoas, o poder de concentração não foi desenvolvido como uma parte importante da educação. E à medida que vamos envelhecendo a mente torna-se cada vez mais dispersa com a acumulação de tensões e preocupações. Isto resulta na diminuição das faculdades mentais, decisões erradas, auto-gestão ineficaz, memória fraca e senilidade.

Podemos ser mestres da tecnologia ou do mundo externo mas não somos mestres da nossa própria mente. De alguma maneira, a tecnologia interna que nos pode dar o controlo das funções da mente, ilude-nos completamente. Controlo sobre uma máquina significa que podemos ligá-la, acelerá-la, desacelerá-la e pará-la quando quisermos. O mesmo acontece numa mente disciplinada. Uma mente disciplinada pensa apenas quando queremos e sobre aquilo que queremos. Se queremos que pense rápido ou devagar ou pare completamente de pensar, obedece imediatamente. Os pensamentos que passam numa mente disciplinada são imediatamente reconhecidos e direccionados. Não têm qualquer poder para arrastar a mente de um lado para o outro.

Se examinarmos as vidas dos yogis, sadhus, sannyasins, santos e místicos, veremos que todos têm uma coisa em comum. Viviam uma vida intensamente focada, com uma grande capacidade de concentração, totalmente dedicada ao ideal ou propósito que consideravam ser o objectivo mais elevado. Adquiriram o controlo sobre as suas mentes através de uma prática regular e sistemática. Com o seu intenso poder de concentração, fundiram gradualmente a própria mente nas suas preces e meditações, até que foram capazes de atingir um controlo perfeito da mente. Normalmente, quando se encontra uma pessoa destas, a primeira impressão é de uma profunda paz interior, firmeza e auto-controlo.

A capacidade de concentração é a raiz de todas as qualidades superiores e requer normalmente um empenho extenuante. Desenvolver uma mente concentrada é bem mais exigente que fazer um doutoramento ou obter qualquer grau académico. A pessoa comum não nasce com a capacidade para se concentrar, então é necessário mudar a sua própria natureza para que se manifeste algo que antes não se evidenciava na estrutura da personalidade. Isto é diferente de estudar conceitos filosóficos em livros e palestras. A concentração é algo que tem de ser praticado e descoberto pessoalmente para se ter a verdadeira experiência dos seus benefícios.

O essencial para desenvolver a concentração é a regularidade na prática. Contudo, antes de começarmos a praticar técnicas de concentração, temos de desenvolver uma ideia do vasto campo de experiências que este estado de desenvolvimento mental abrange. As práticas de concentração e meditação estão codificadas nos textos do yoga e nas upanishads. Este é um assunto que deve ser estudado e pesquisado para que sejam obtidos os melhores resultados. A concentração não é uma prática superficial. Envolve um mergulho profundo nas dimensões internas da mente e da consciência. Para podermos dar este mergulho, precisamos de três coisas: (i) método certo, (ii) instruções certas e (iii) compreensão certa.