Jnana Yoga

O jnana yoga é muitas vezes referido como ‘yoga do conhecimento’, porque jnana pode ser traduzido literalmente como ‘conhecimento’ ou ‘sabedoria’, no entanto esta expressão não é a mais adequada para descrever este caminho. Especialmente na cultura ocidental, a palavra conhecimento está demasiado ligada ao intelecto, e para conhecer a verdadeira dimensão do jnana yoga o intelecto tem de ficar para trás, pois é como um peso que nos prende ao chão. O jnani transforma este peso em leveza, quando abre as asas da meditação e da intuição, que lhe permitem ter um ponto de vista mais elevado sobre os acontecimentos, um ponto de vista onde todos os horizontes se expandem, um movimento de elevação que cria distância mas também mais proximidade e contacto com todas as coisas; um voo que, ao mesmo tempo, é um mergulho na realidade.

O jnana yoga começa com a sede de verdade, com a incontrolável vontade de saber o que é a realidade. Aqui, saber não significa alcançar uma definição ou fórmula, porque não há fórmula nem definição que possa conquistar o Inominável, aqui, saber é ser. Mas que vontade é essa, a de ser real? É a vontade de pegar fogo, o fogo da meditação contemplativa, a tudo o que é falso, tudo o que vela e distorce a realidade. Por isso é tão importante no jnana yoga a aplicação do ensinamento ancestral das upanishad – neti neti; isto não, isto não – por exemplo, quando nos dedicamos à questão ‘quem sou eu?’, o mais importante é não aceitar nenhuma resposta enquanto ‘tudo o que eu não sou’ não estiver transformado em cinza. Seja esta questão ou outra, quando surge, surge como um impulso incontornável. Quando alguém se quer dedicar ao jnana yoga, e começa por pensar ‘qual a questão que devo contemplar?’, é porque não está preparado para o jnana yoga. Quando surge esse impulso que não é racional, a questão torna-se parte da vida, parte do ser, não apenas algo para ser pensado. Todo o ser fica envolvido pela vontade de saber. Esta intensidade não acontece quando a mente está demasiado dispersa, envolvida por preocupações e ansiedades. Por isso é necessário estabilizar a mente para praticar jnana yoga.

Alguns livros podem ser importantes como inspiração e esclarecimento, mas na verdade não importa quantos livros lemos sobre este tema, se formos como o burro que se julgou mais sábio, quando foi comprado a um merceeiro por um bibliotecário, e em vez de mercearia, passou a carregar livros. Não faltam livros que ofereçam suficiente conforto intelectual com afirmações como ’eu já sou o que procuro ser’ – afirmação esta que, apesar de não ser mentira, se torna estéril se a plenitude do seu significado não for observada como um reflexo no comportamento de quem a compreende, e se torna vazia na boca de quem apenas a intelectualizou e continua a perseguir miragens.

O jnana yoga é um caminho que não pode ser trilhado por qualquer praticante. Tem de ser combinado com outras práticas de yoga, de acordo com as tendências e natureza de cada um. Pessoas que sejam mais dinâmicas podem combiná-lo com o karma yoga, pessoas cujas emoções tenham suficiente intensidade podem combiná-lo com o bhakti yoga, aqueles que tenham desenvolvido determinadas capacidades psíquicas podem combiná-lo com o raja yoga. São raros os aspirantes que têm a vontade indomável que permite trilhar o caminho do jnana yoga sem a contribuição de outras disciplinas.