Karma Yoga

Karma Yoga é o primeiro Yoga a ser descrito nos Upanishads (um conjunto de textos indianos) como elemento necessário para a compreensão do processo evolutivo e do seu objectivo último, a união com o absoluto. Outro magnífico texto indiano, que ilustra bem esta questão é o Bhagavad Gita no qual se descreve o dilema de Arjuna (um comandante militar), que no campo de batalha se vê confrontado com o aparente absurdo da existência e decide não agir. O que se segue a essa decisão, é um diálogo extraordinário, no qual o mestre Sri Krishna o faz compreender a necessidade da ação e nesse processo de aprendizagem, lhe revela o sentido da existência.

Karma significa literalmente ação, e todos nós agimos continuamente quer queiramos quer não, de forma consciente ou inconsciente. É impossível não agir e existir ao mesmo tempo, quando deixamos de agir, deixamos de existir. Poderíamos pensar que se alguém se sentar absolutamente imóvel em concentração profunda, não está a agir, no entanto, estar sentado totalmente concentrado é em si mesma uma ação. Aquele que está aparentemente sem agir, continua a respirar, os seus órgãos continuam a funcionar, o seu corpo ocupa espaço e tem um efeito sobre esse espaço, a sua mente está activa e o indivíduo reconhece-se a si mesmo como alguém que está sentado imóvel e num estado de profunda concentração. E se esse indivíduo passar além do estado de concentração (dharana) e entrar num estado de meditação (dhyana) no qual se funde completamente com o seu objecto de concentração, deixando de se identificar com o próprio corpo, será que deixa de agir? Enquanto subsistir um traço de individualidade, por mais ténue que seja, ele continua a agir, enquanto o ego lá estiver o indivíduo continua a existir e a agir.

Karma, num sentido mais abrangente, é a semente inerente a tudo o que é manifesto no universo, tudo o que existe tem origem no Karma e está sujeito às suas leis.

O que é então o Karma Yoga? Podemos explica-lo como qualquer ação realizada com total concentração, um processo no qual o indivíduo está continuamente consciente das suas ações. Mas mais importante ainda no Karma Yoga, é a atitude com a qual o indivíduo realiza essas ações. A maior parte das nossas ações são dirigidas pelo ego, em casa com a família, no emprego com os colegas, na rua com desconhecidos, agimos principalmente para satisfazer os nossos desejos, as nossas ambições, as nossas mais básicas necessidades e os nossos mais profundos desígnios. Quando o indivíduo começa a observar de forma continuada e consciente as suas ações e as motivações a elas associadas, inicia um processo extremamente frutífero de auto-conhecimento. Ele começa gradualmente a ser capaz de ver para além da superfície, a compreender cada vez melhor as complexas interações entre ele e os outros e a ser capaz de relacionar de uma forma cada vez mais abrangente os processos de causa e efeito que influenciam a sua existência.

Onde é que podemos praticar Karma Yoga? Em todo o lado em todas as horas. Quando alguém nos critica negativamente e nós não gostamos do que ouvimos, como é que reagimos? Ripostamos com outra crítica negativa? Justificamo-nos, tentando por todos os meios convencer a outra pessoa que se enganou no seu julgamento? Ou respondemos de forma a não afectar a outra pessoa negativamente? Quando estamos conscientes destas possibilidades, quando observamos as nossas atitudes e as relacionamos com aquilo que vemos ao olhar internamente, aceitando que o que vemos faz parte de nós e influencia o que está à nossa volta, e nos esforçamos por minimizar a influência limitadora do ego nas nossas atitudes, estamos a praticar Karma Yoga.