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Mantra2017-06-08T20:41:27+00:00

 

O que é o Mantra

Embora a palavra mantra seja normalmente traduzida como ‘vibração sonora’, o seu significado literal é ‘a força que liberta a mente das suas limitações’ (mananaat – ‘limitação da mente’, trayate – ‘libertada’, iti -‘através’ ou ‘assim’, mantraha – ‘a força da vibração’).

Mantra é essencialmente toda e qualquer vibração, contudo o mantra fundamental, primordial e derradeiro é a vibração do núcleo do átomo; de certa forma é um som sem som, anahada, ou som silencioso, que é produzido sem qualquer percussão ou atrito, à excepção de todos os outros sons. É aqui que entra a física do yoga. Onde quer que haja movimento, também há vibração, que por sua vez cria um som subtil. Os átomos estão em constante movimentação e criação de padrões de vibração. Como nos podemos tornar conscientes desses padrões? Através de um processo de refinamento a afinação da consciência e mergulhando fundo na dimensão psíquica.

A mente, o corpo psíquico e a vibração sonora; síntese dos tipos de mantra que existem

O yoga entende a mente como uma força subtil e não densa. Por exemplo, a ameba não tem sistema nervoso nem cérebro, e no entanto responde de forma diferente ao estímulo de um grão de arroz ou de uma gota de ácido. Que energia subtil, porque não há suporte físico do sistema nervoso, estará envolvida na escolha da ameba? O yoga entende esta capacidade como uma força que orienta todas as formas de vida, energia e expressão, chamada de mahat, ou mente superior. Mahat está dividida em quatro aspectos diferentes: manas, o aspecto racional, o pensamento; buddhi, o discernimento, a capacidade de análise e compreensão; chitta, o aspecto da consciência que regista e armazena, ou memória; e ahamkara, o princípio de individualidade ou ego. Estes são os quatro aspectos da mente que nos permitem interagir com o mundo sensorial: nomes, formas, ideias, tempo, espaço e objecto.

O corpo psíquico é uma dimensão profunda da nossa existência que se encontra aproximadamente entre o corpo subtil (normalmente relacionado com o subconsciente) e o corpo causal (normalmente relacionado com o inconsciente). É uma área entre as experiências externas da mente (densas e subtis) e as internas (causal e transcendental). Sendo uma zona de limite ou transição, o corpo psíquico é a dimensão onde podemos aceder, visualizar e experienciar tanto as experiências externas como as internas. Toda a teoria do kundalini yoga, que inclui os chakras, nadis e o despertar da kundalini, é baseada nas experiências do corpo psíquico. Todas as experiências do corpo psíquico têm uma deteminada vibração, e essa vibração tem uma correspondência com um determinado som que pode ser compreendido pelos vários aspectos da mente – manas, buddhi, chitta e ahamkara. Existem cinquenta sons com esta característica, e cada um destes sons ou vibrações tem uma representação simbólica nas pétalas dos vários chakras. Cada chakra é activado pela repetição dessas vibrações sonoras. Contudo, tem de haver uma concentração intensa, uma atenção plena em cada repetição do mantra, de outro modo nada é alcançado.

O terceiro aspecto é o mantra, a vibração sonora que está dividida em cinquenta sons. Dependendo da combinação que for feita com estes sons, são criados diferentes mantras. Tomemos como exemplo o mantra Om Namah Shivaya, este mantra é normalmente traduzido como ‘eu saúdo Shiva’, mas a abordagem intelectual que, por vezes, leva o praticante a dar demasiada importância à
tradução é limitadora, e acaba por gerar um sério equívoco relativamente ao mantra sadhana. Pois alguns praticantes podem pensar: ‘Estarei a ser convertido? Porque tenho de saudar ou sequer acreditar numa coisa que não conheço? Ainda por cima neste tipo nú, enfeitado com cobras a deitar água pela cabeça?’; obviamente, este não é o propósito do mantra. A repetição sequencial dos sons om, na, mah, shi, va, e ya, tem um efeito específico no corpo psíquico e essa é a principal razão para repetir o mantra. O sahasrara, que é o chakra mais elevado, com as mil pétalas que lhe dão o seu nome, representa todas as combinações possíveis dos cinquenta sons no plano cósmico. Por exemplo, a consoante ‘K’ pode ser pronunciada Ka, Kaa, Ki, Kee, Ke, Kai, Ku, Koo, Ko, Kou, Kum ou Kaha. O sahasrara é como o DNA do corpo psíquico que armazena toda a informação, que só pode ser acedida depois de se isolar a molécula de DNA.

Existem basicamente dois tipos de mantras: universais e individuais.

Os mantras universais são bem conhecidos e estão presentes em várias tradições – Om, Soham, Om Namah Shivaya, Om Namo Bhagavate Vasudevaya, Om Namo Narayana, Amen, Amin, Allellujah, e muitos mais. Também existem mantras universais longos como o Maha Mrityunjaya mantra: Om tryambakam yajaamahe sugandhim pushtivardhana urvaarukamiva bandhanaan mrityor mukshiya maamritat; e o Gayatri mantra: Om bhur bhuvah swaha tat savitur varenyam bhargo devasya dhimahi dhiyo yo nah prachodayaat.

Os mantras individuais são usados para fins específicos de acordo com as necessidades do praticante, podem ser monossilábicos (bija mantras), ou combinações de vários sons, no entanto devido à especificidade das diferentes vibrações, normalmente os mantras individuais são recebidos por iniciação de um Guru conhecedor da ciência do mantra, para que a vibração do mantra seja adequada às características do iniciado.

Os mantras podem ser repetidos (japa) em quatro estágios diferentes, numa ordem crescente de subtileza, poder e eficácia:

Bhaikari, ou repetição verbal, em voz alta: contínua, com a respiração, com um mala, durante actividades físicas, e kirtan, a repetição verbal do mantra com várias melodias e ritmos diferentes.

Upanshu ou madhyama, repeticão susurrada: contínua, com a respiração, com um mala, e durante actividades físicas, aqui o kirtan já não se aplica.

Manasi ou pashyanti, repetição mental: contínua, com a respiração, com um mala, com concentração num símbolo, com visualização da escrita no chidakasha e durante actividades físicas.

Para, ou repetição transcendental, que só tem uma forma: ajapa japa, ou seja repetição sem repetição, repetição sem qualquer esforço, espontânea e contínua. É o último estágio do mantra yoga.