Os Koshas 2

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Os Koshas 2

Esta é a segunda de duas partes de um texto do Swami Niranjanananda Saraswati, sobre os Koshas, os cinco véus ou camadas que constituem o corpo (no sentido mais amplo da palavra) humano. As notas e os parênteses em itálico são do tradutor.

(…continuação)

Vijnanamaya Kosha

Depois do manomaya, chegamos ao vijnanamaya kosha. Jnana significa ‘sabedoria’, ‘conhecimento’; o prefixo ‘vi’ é uma confirmação da intensidade do conhecimento que é derivado não só das experiências e memórias desta vida, mas também de vidas passadas. Há um depósito de conhecimento em cada um de nós, mas não fomos educados para ter a experiência desta sabedoria interior.

O vijnanamaya kosha tem associados os aspectos de chitta e ahamkara. Chitta significa a capacidade de conhecer, de nos tornarmos o observador do que realmente acontece, para ser capaz de viver a realidade e não uma especulação ou fantasia. Ahamkara é o aspecto do ego, no verdadeiro sentido da palavra, não no sentido grosseiro; é o conhecimento do ‘eu’, a capacidade de estar consciente da identidade do ‘eu’. Este entendimento vem quando trabalhamos com o vijnanamaya kosha.

Tendo trabalhado com e compreendido a identidade do ‘eu’, que se manifesta no mundo na terceira dimensão e que experimenta os prazeres e confortos, as dores e sofrimentos da vida, passamos para a experiência do Anandamaya Kosha, a dimensão da beatitude, da felicidade, plenitude e contentamento.

Abordagem do yoga aos koshas

De acordo com o yoga estas são as cinco dimensões da existência, em que todas as outras experiências se enquadram. Podem ser experiências físicas ou emocionais, no campo energético ou mental. Para lidar com cada kosha, o yoga apresenta diferentes técnicas. Para harmonizar e experienciar uma optimização da saúde nas diferentes energias e funções do corpo físico – annamaya kosha – , o yoga prescreve as práticas de asana, pranayama e os shatkarmas, que podem ajudar a purificar e desintoxicar o corpo. Para lidar com o pranamaya kosha, o yoga indica as técnicas de pranavidya, chakra shuddhi, kriya yoga e kundalini yoga, o que vai ajudar a canalizar o fluxo de energia em todo o sistema, para estimular e despertar o prana. Para gerir as actividades do manomaya kosha e equilibrar as agitações mentais, o yoga propõe a prática de pratyahara, dharana, mantra, yantra e mandala. Para experienciar o poder e a força do vijnanamaya kosha, são indicados o dhyana, laya yoga e nada yoga. Para experienciar o estado do anandamaya kosha temos de nos empenhar para alcançar o samadhi, para despertar a kundalini. É em torno destes conceitos de gestão das diferentes dimensões da experiência e existência humana que todo o sistema do yoga evoluiu.

Desligar a mente exterior e a mente interior

Chega um momento em que precisamos de dissociar a nossa mente, a atenção e a consciência, das coisas que continuamente nos perturbam. Os gunas (qualidades) predominantes na maioria das pessoas são tamas (inércia/letargia) e rajas (agitação); ainda não tivemos a experiência de sattva (harmonia). O estado sattvico não é apenas viver uma vida simples ou ter pensamentos simples; é a consciência da verdadeira natureza do Eu. A visão distorcida de nossa própria natureza é experienciada sob a influência de rajas e tamas. Estamos aqui sentados a tentar compreender a natureza sattvica e passar além dos condicionamentos de rajas e tamas. Todas as experiências da vida são caracterizadas por tamas e rajas, só o samadhi, só o despertar da kundalini, só o entendimento do potencial absoluto do ser humano, pode alcançar o estado de sattva.

Para chegar ao estado sattvico, tem de haver algum tipo de desconexão, a dissociação do mundo em que vivemos. Quando vamos dormir à noite, desligamo-nos do mundo exterior e conectamo-nos com a mente interior. Isso não é suficiente. Para experimentar a mente pura tem também que haver uma desconexão com a mente interior. No nosso vocabulário ‘mente interior’ representa simplesmente uma actividade que no presente não é consciente. Se eu disser: “Liga-te à tua mente”, vais ficar consciente dos teus pensamentos, das tuas emoções, das diferentes qualidades que se manifestam na mente. Se formos mais fundo, também podemos ficar conscientes dos samskaras e karmas e dizer: “Esta é a nossa mente interior.”

A experiência da mente pura

O que estamos a abordar aqui é a mente interior no sentido grosseiro, a mente que funciona na terceira dimensão, que está sujeita às leis do tempo e do espaço, que cria a sua própria identidade, ao olhar para diferentes formas, ideias e nomes. Estas são as áreas da mente interior em que nossa mente se projecta. O yoga diz que há outra mente – a mente pura. Esta mente pura é experienciada ao alcançar o estado do anandamaya kosha, através do samadhi e do despertar da kundalini. Samadhi e kundalini representam um estado do ser no qual os acontecimentos da vida normal não alteram ou afectam o nosso comportamento, emoções ou pensamentos, e no entanto há harmonia em tudo o que fazemos. Não há nenhum efeito de tamas e rajas, mas apenas a experiência de sattva. Este é o objetivo da vida humana.

Temos que passar do denso para o transcendental; das impressões impuras, distorcidas, coloridas, para a experiência da continuidade da consciência. O processo é muito simples, desde que não nos desviemos do caminho. No pratyahara (interiorização da energia que normalmente dispersamos na esfera sensorial) observamos as várias experiências da mente; e este é o primeiro passo na compreensão da mente pura.

By |2014-08-07T18:37:44+00:00 5 Agosto, 2014|Categories: Textos|

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