Pranayama

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Pranayama 2017-06-08T20:41:27+00:00

 

O que é o Pranayama

Normalmente define-se pranayama como controlo da respiração. Apesar desta interpretação parecer correcta, devido às práticas assim designadas, esta expressão não contempla o pleno significado do termo pranayama. A palavra pranayama é composta por duas raízes: prana e ayama. Prana significa ‘energia vital’. É a força que está presente em todas as coisas, animadas e inanimadas. Apesar de estar intimamente relacionada com o ar que respiramos, é mais subtil que o ar ou o oxigénio. Por isso mesmo, o pranayama não deve ser entendido como um conjunto de meros exercícios respiratórios cujo objectivo é fornecer mais oxigénio ao corpo. O pranayama utiliza a respiração para influenciar o fluxo de prana nas nadis ou canais energéticos do pranamaya kosha ou corpo energético.

A palavra yama significa ‘controlo’ e é usada para designar várias disciplinas ou códigos de conduta. Contudo, esta não é a palavra que está junto a prana, no termo pranayama; a palavra correcta é ayama que tem muito mais implicações que yama. Define-se ayama como ‘expansão’ ou ‘extensão’. Logo, a palavra pranayama significa ‘extensão ou expansão da dimensão do prana’. As técnicas de pranayama providenciam o método para que a força vital possa ser activada e regulada de modo a que o praticante seja capaz de passar além das fronteiras ou limitações normais, e atinja um estado mais elevado de energia vibratória.

Quatro fases da respiração

Nas práticas de pranayama são utilisadas as quatro fases da respiração:

1. Pooraka ou inspiração

2. Rechaka ou expiração

3. Antar kumbhaka ou retenção interna

4. Bahir Kumbhaka ou retenção externa

As diferentes práticas de pranayama envolvem várias técnicas que utilisam estas quatro fases da respiração. Existe ainda uma importante fase de pranayama chamada kevala kumbhaka ou retenção espontânea da respiração. Este é um estágio avançado de pranayama que ocorre durante estados elevados de meditação. Neste estado, os pulmões cessam a sua actividade e a respiração é interrompida. Nesta altura, é levantado o véu que nos impede de contemplar os aspectos mais subtis da existência e é alcançada uma visão mais ampla da realidade.

Na verdade a parte mais importante do pranayama é o kumbhaka ou retenção da respiração. Contudo, para que seja possível a execução correcta e eficiente do kumbhaka, tem de haver um desenvolvimento gradual do controlo sobre o processo respiratório. Por isso, ao princípio o foco é posto na inspiração e expiração, de modo a fortalecer os pulmões e equilibrar o sistema nervoso e o sistema pranico, preparando-os para a prática de kumbhaka. Estas práticas influenciam o fluxo do prana nas nadis, purificando, regulando e activando os canais energéticos, induzindo deste modo uma maior estabilidade física e mental.

Respiração, saúde e pranayama

A respiração é o processo mais importante para a vitalidade do corpo. Influencia a actividade de toda e qualquer célula e, ainda mais importante, está intimamente ligada ao funcionamento do cérebro.

A respiração rítmica, profunda e lenta, estimula e é estimulada por estados mentais de tranquilidade e satisfação. A respiração irregular perturba os ritmos cerebrais e leva à criação de bloqueios físicos, mentais e emocionais. Estes, por sua vez, produzem conflitos internos, desequilíbrios na personalidade, estilos de vida desordenados e doenças. O pranayama estabelece padrões de respiração regular, quebrando este ciclo negativo e revertendo o processo. Isto deve-se ao processo de controlo gradual da respiração, restabelecendo o ritmo natural e descontraído do corpo e da mente.

Apesar da respiração ser quase sempre um processo inconsciente, o controlo conciente pode ser tomado em qualquer momento. É por isso que a respiração forma uma ponte entre as áreas conscientes e o inconscientes da mente. Através da prática de pranayama, a energia bloqueada por determinados padrões mentais inconscientes pode ser libertada e canalizada para processos criativos e mais positivos.