Raja Yoga

Raja significa real ou regulador. Raja Yoga é o Yoga que nos permite ser reis, reguladores ou mestres da nossa própria mente. E porque é que a mente assume aqui um papel tão importante? É a mente que regula a nossa vida e por isso ao ganharmos domínio sobre a totalidade dos seus processos, tornamos-nos reguladores ou reis da nossa própria vida.

No contexto do Yoga, quando se fala em mente refere-se aos quatro componentes ou comportamentos que ela manifesta na vida: manas, a habilidade para refletir e pensar; buddhi, inteligência ou inteleto; chitta, a coleção de memórias e ahamkhara, o ego.

A totalidade da mente interage, persegue e associa-se continuamente com os sentidos embora ela tenha uma natureza subtil que funciona e continua a existir quando está desligada dos sentidos. Esta constante interação e cooperação com os sentidos, na busca de contentamento e prazer e na repulsa de tudo o que é desagradável e causa dor, faz com que a mente se torne dissipada, distraída e volátil. Quando se reduz a atração pelos objetos dos sentidos e pela realização sensorial, a mente torna-se calma e pacífica.

Os Yogis e sábios da Índia cedo compreenderam a importância da mente no processo evolutivo através do Yoga. Num dos mais importantes textos hindus, o Bhagavad Gita, há uma referência à mente feita por Arjuna ao seu mestre:

“Krishna, a mente é muito instável, turbulenta, tenaciosa, poderosa e controlar a mente é tão difícil como controlar o ar que flui à nossa volta.”

Ao que Krishna respondeu:

“O que dizes é verdade, a mente é desassossegada sem dúvida e difícil de segurar. Mas pode ser controlada pela prática repetida e pelo desenvolvimento do desapego.”

Um Yogi em particular, chamado Patanjali, debruçou-se particularmente sobre a forma de libertar a mente das suas relações, associações e apêgos para com o mundo dos objetos e dos sentidos, para que ela pudesse vivenciar a sua própria pureza e natureza transcendente. O sábio Patanjali desenvolveu um sistema de práticas que permitisse aceder e dominar as diferentes áreas da mente. Este sistema composto por oito categorias, ficou conhecido por Ashtanga Yoga, ou o Yoga dos oito braços ou ramificações. O sábio Patanjali deu ao seu sistema de práticas o nome de Yoga e definiu o seu método como: “a eliminação das flutuações mentais.”

Contudo este sistema ficou conhecido por Ashtanga Yoga por ser composto por oito (ashta significa oito em sânscrito) estágios ou ramificações que deverão ser seguidos passo a passo de forma a conferir ao praticante o total controlo sobre os estados mentais. Os oito estágios são sequencialmente os seguintes: Yama (disciplinas de conduta social que devem ser seguidas), Niyamas (disciplinas de conduta pessoal que devem ser cultivadas), Asanas (posições que desenvolvem a concentração, atenção e foco), Pranayama (técnicas de respiração que permitem ativar a energia subtil), Pratyahara (retirada da mente da influência dos sentidos e do mundo dos objetos), Dharana (focar a mente), Dhyana (meditação), Samadhi (união com o absoluto).

O Yoga de Patanjali como referido anteriormente ficou mais tarde conhecido como Raja Yoga, no entanto em algumas referências o Raja Yoga ou o caminho real do Yoga é considerado um sistema mais vasto que engloba vários tipos de yoga (Kundalini yoga, Kriya Yoga, Mantra Yoga e Dhyana Yoga) e inclui o Yoga de Patanjali. Nesta perspetiva o Raja Yoga é a ciência da mente, dedicada a explorar os mundos internos. É a ciência da disciplina mental e inclui vários métodos para tornar a mente mais focada e libertar o poder e o conhecimento nela contidos.